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Mensagens

Não és tu, sou eu...

  Acho fantástica a perceção de certas almas mais simples de que "tu magoaste-me muito" ou "estás a magoar-me". Isto no que concerne à dor que nos é imposta, regra geral por pessoas próximas ou importantes para nós, a nível sentimental ou emocional. A deceção é entendida como algo como nos fazem e  aceite como uma facada. Aliás, a expressão cumular no que ao português concerne para designar a traição, a epítome da deceção, é a bem conhecida "facada nas costas". Idem, aqui há uns anos não havia casos extraconjugais! Pelos Deuses, que expressão tão pouco carinhosa, tão rude, tão fria!... Não, havia a doce e eufemística expressão "facadinha" no matrimónio. Tem tudo para ser melhor aceite, desde a imagética associada a uma traição - a facada - ao diminutivo essencial para a captatio benevolentia.  O ponto central do meu argumento, ao qual regresso, é a responsabilidade da dor. A isenção covarde da qual a maior parte das almas novas padece, atribuind...

Coming back

Estava eu sossegadito deitado no sofá a olhar para anteontem e lembrei-me que tinha um sacana de um blog.... Um desgraçadito de um blog no qual já não escrevo desde que relutantemente me converti à rede social do F branco sob fundo azul. Sendo que eu sou como toda a gente e não faço nada que toda a gente faça a não ser aquilo que toda a gente faz negando fazer, a modos que vou deixar-me de escárnio mordaz no face, passando apenas a refletir  nesta minha torre toda a amplitude da minha parvalheira, toda a profundidade da minha pseudo-filosofia de chavões e frases feitas e toda a abrangência metafísica albergada no... coiso. Como já devem ter reparado (sim, vocês os dois que estão a ler acidentalmente estas linhas e que possam por ventura partilhar a infelicidade de me conhecer pessoalmente), não só não envelheci, como me deixei das chonices emo-gótico-cenas que não tinha quando era mais novo. Em boa verdade, rejuvenesci uns bons 8 anos e pico no último mês. Assim sendo, alguém se ...

Pedradas

Às vezes parece que não faço outra coisa além de me sentar aqui vendo o incessante vai e vem das ondas. Observando a eterna mutabilidade e imutabilidade daquele mar, a forma como as marés sobem e descem, as ondas avançam e recuam, como os barcos rasgam os horizontes e os deixam imaculados... Sentar-me aqui, junto a este mar faz-me perceber que devo ser como o mar, a minha vida deve imolar o mar em todos os aspectos. Intempestivo e calmo, brilhante e sombrio, claro e encoberto... Devo ser, sim, como o mar e não como a areia que piso pois se olhar para trás na praia vejo as minhas pegadas e as pegadas que me antecederam e que ainda não tiveram oportunidade de desaparecer .  Uma pedrada no mar... Sabe quem já alguma vez atirou uma pedra ao mar que ele não riposta. Agita-se naquele local, solta um berro, maior ou menor mediante o tamanho da respectiva pedra, mas não tarda a voltar ao mesmo como que nunca tivesse havido uma pedra lançada, como se nunca tivesse havido lançamento da pedra...
Da natureza do Mal, do Supremo-Mal ou do sumo representante de tudo o que está mal neste mundo, já muito foi dito. Já desde a Grécia antiga que os grandes pensadores, fundadores da grande maioria da cultura ocidental, consideraram que havia algo que podia ser representado, um paradigma Universal para o Todo, e o anti-representação, o Nada absoluto. A um chamaram symbolón (símbolo) e a outro, diabolón (anti-símbolo). Paradigmas se seguiram, consequentes, concorrentes, adjuvantes, e o Symbolón tornou-se toda a Ordem e a Racionalidade do Universo, toda a Paz, toda a Estabilidade, todo o Equilíbrio; Por sua vez, o Diabolón contrapôs-se tornando-se o indiscritível, o Caos, a Irracionalidade, a Cacofonia, a Mutabilidade, a Desordem. Quando os primeiros cristãos chegaram ao arquipélago helénico, e como a Razão ultrapassa toda a fronteira linguística, cultural e religiosa, ouviram falar no Diabolón. Na tentativa de melhor o compreenderem fizeram algo comum numa cultura infantil e personificar...
Sentou-se junto a mim contemplando a carruagem de Apolo que se despenhava no mar. Sorriu com a última aragem de vento que lhe tocou as faces e disse: "Doce liberdade esta de sentir os zéfiros e como eles não ser prisioneiro de compromissos ou obrigações. De me erguer todos os dias do meu leito e saudar o Sol alto sem cuidar das horas que me restam para que volte à cama. Liberdade de não ter de ser nada para ninguém e ser tudo e todo para mim. Ser independente de laços familiares e ter tantas amizades que não haja um dia só que me sinta solitário, sem alguém que me preencha as vastas horas de ócio. Obrigado, Mestre, por me teres mostrado o que é a vida e como posso ser um melhor eu se me esforçar por ser feliz." Eu levantei-me daquele rochedo e pousei a garra granítica sobre a cabeça do jovem que se sentara ao meu lado. "Não te ensinei nada. As conclusões que tiraste das minhas palavras encaminharam-te a tomares-me como exemplo, mas nem tu me pediste que explicasse o m...

Ceder

Mas sim, há mudanças. Viver no outro é arriscar o erro de deixar de viver em nós e o nosso corpo, nós, é tudo o que temos para poder fazer do outro feliz... Para nos atrevermos a ser felizes com o outro. Hoje cedo. A minha cedência cedo se me afigurou como constante, como se a minha necessidade de sobreviver dependesse da minha inata solicitude em ceder. Não me interpretes mal... Eu cedo porque sou assim. Não cedo porque me forcem, não cedo porque me peçam, não cedo por al senão pelo facto de todas as minhas células terem aversão a resistir a algo que não tem importância. E eis a minha mudança básica. Não posso ir contra a minha natureza e não ceder, não posso deixar de ser quem sou. Recuso-me a trair-me. Mas... e nestas coisas há sempre um mas e mesmo nisto cedo... agora escolho a minha cedência. Avalio a capacidade de cedência da outra pessoa. Se o outro se me apresenta como capaz de ceder e não o faz em toda e qualquer condição, a minha cedência é vil e cobarde, mesquinha e i...
Sempre adorei sentir o vento no cabelo, empurrando-me para trás, impondo a sua força ao meu equilíbrio. Ao contrário da maioria das pessoas, gostava muito dos dias ensolarados de calor, mas os meus preferidos eram aqueles nebulados, mais amenos, em que mais do que se sentir o vento o via a inquietar plantas e árvores... No alto da minha falésia da infância e juventude, passava eternidades olhando o vazio, contemplando nadas e considerando tudo. Eram outros tempos em que por não ter mais em que pensar pensava em tudo... Concluí tanta coisa de inútil e útil. Frustrou-me ver os meus pensamentos expressos em livros, as minhas conclusões tiradas a limpo por outros, as minhas teorias apresentadas por outros como se deles fossem... Frustrava-me não ter sido o primeiro a pensar naquilo, tanto quanto me agradava aprender com os outros e reconhecer nas ideias de outros validade. Hoje, os assaltos de preocupações, de problemas e questões quotidianas, assuntos práticos que exigem mais que tempo,...