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Mensagens

Sempre adorei sentir o vento no cabelo, empurrando-me para trás, impondo a sua força ao meu equilíbrio. Ao contrário da maioria das pessoas, gostava muito dos dias ensolarados de calor, mas os meus preferidos eram aqueles nebulados, mais amenos, em que mais do que se sentir o vento o via a inquietar plantas e árvores... No alto da minha falésia da infância e juventude, passava eternidades olhando o vazio, contemplando nadas e considerando tudo. Eram outros tempos em que por não ter mais em que pensar pensava em tudo... Concluí tanta coisa de inútil e útil. Frustrou-me ver os meus pensamentos expressos em livros, as minhas conclusões tiradas a limpo por outros, as minhas teorias apresentadas por outros como se deles fossem... Frustrava-me não ter sido o primeiro a pensar naquilo, tanto quanto me agradava aprender com os outros e reconhecer nas ideias de outros validade. Hoje, os assaltos de preocupações, de problemas e questões quotidianas, assuntos práticos que exigem mais que tempo,...

Caverna

Então há uma altura em que me encontro no mercado deambulando e espiolhando as almas de quem comigo se cruza e um manto, uma capa com capuz cruza-se com a minha capa com capuz... Eu estaco imediatamente à passagem de tão familiar capa com capuz e sinto que a outra capa estacou imediatamente à minha passagem... Viro-me lentamente, a medo, como que a confirmar que não é o reflexo de um espelho o que se cruzou comigo e o reflexo de um espelho que se cruzou comigo vira-se lentamente a medo, como que a confirmar que eu não sou um reflexo de um espelho... Então olho mais cuidadosamente aquela capa com capuz... o trabalhado, a textura, a cor. Quão familiar... E olho a minha capa com capuz, a cor, a textura, o trabalhado.... Espreito ousadamente para dentro daquele capuz e vejo uma máscara que espreita ousadamente para dentro do meu capuz... Através de uma aberta vejo um pouco da pele que se esconde sob o manto com capuz e percebo que é semelhante em muito à minha pele que se encontra um ...
Sento-me no topo da minha torre... Ocultei minha alma em panos e não bastou, apertei-a e pedi-lhe que não falasse tão alto e não bastou, encostei-a à parede e entre palavras de amor, ameacei-a que a deixava e a perdia... Encerrei minha alma numa cela de pedra fria. Dei-lhe fome e sede de atenção, negligenciei-a e aguardei que esmorecesse, quando voltei ao cativeiro agrediu-me com as pedras arrancadas à parede. Juntei as pedras e encerrei-lhe a porta, emparedando-a... Incontáveis eras passaram e voltei para ver a minha alma perdida. Encontrei a prisão em ruínas, reduzida a um monte de pedras espalhadas. A minha alma encontrava-se no meio dos destroços e manteve-se em silêncio quando me sentiu a aproximar. Abracei a minha alma e apertei-a contra mim, confiante na sua docilidade, mas a minha alma mordeu-me e arranhou-me e revoltou-se em silêncio contra mim. Tentei fugir-lhe e escapar-lhe mas perseguiu-me em silêncio por montes e vales... Por artes e manhas encerrei minh...

LOTR moment.

"It's like in the great stories, Mr. Frodo. The ones that really mattered. Full of darkness and danger they were. And sometimes you didn't want to know the end. Because how could the end be happy? How could the world go back to the way it was when so much bad had happened? But in the end, it's only a passing thing, this shadow. Even darkness must pass. A new day will come. And when the sun shines, it will shine out the clearer. Those were the stories that stayed with you. That meant something, even if you were too small to understand why. But I think, Mr. Frodo, I do understand. I know now. Folk in those stories had lots of chances of turning back, only they didn't. Because they were holding on to something... There's some good in this world, Mr. Frodo. And it's worth fighting for." Samwise Gamgee

Eu gosto muito do Sr. Engenheiro José Sócrates.

Ele há formas mais seguras de vos chamar à atenção, mas hoje deu-me para isto, pronto. Toda a gente sabe que matar focas bebé à paulada não é divertido... Dá uma trabalheira do catano porque o bicho é esquivo e escorrupicha muito sangue. Outra coisa que também não é divertida é limpar o traseiro a folhas de urtiga. Então como estão? É Natal novamente... Sentindo-me perfeitamente imbuído na beatitude consumista que viola o pessoal por estas alturas, e não tendo manifestamente pilim para mandar cantar um cego (infelizmente o Ray Charles cobra mais que certas meninas que fazem outras coisas com microfones), decidi voltar a tomar como tema para um post o das deambulações a atirar para o parvo. Ora estava o sacana do Moisés quilhado por o seu primo adoptado andar a malhar forte e feio nas tipas que eram dele, preocupadíssimo com a forma como haveria de dar uma overdose de Deus ao irmão para ele não se fazer mais tarde ao piso, e com uma forma simpática de mudar o estado civil ra...
Caminhava pelo mercado numa tarde fria, vendo os vendedores vendendo as suas mercadorias nas bancas cobertas por linhos de muitas cores e completamente fascinado pelo odor das frutas, pelo murmúrio indefinível resultante dos pregões e das disputas de negócio... Via as pessoas a irem umas contra as outras, empurrando-se mais por negligência do que por intenção, cada um no seu caminho pessoal. Nessa tarde reparei num homem. Comprava fruta a peso como as restantes pessoas. Mexia e remexia em tecidos que tencionava comprar... Olhava as pessoas como eu e escondia-se como eu, mas eu oculto-me por causa do meu aspecto e tenho mais sucesso que ele porque, apesar de se esconder, não se ocultava tanto quanto desejaria permitindo que qualquer pessoa lhe visse a cara. Isto fez-me pensar que o que ele ocultava não seria tanto o seu aspecto, mas algo de interior. Depois de o ver a pagar uma pulseira de um azul majestoso e afastar-se cauteloso da respectiva banca, aproximei-me cauteloso para que pe...
Há um perigo que entra em todas as vidas as vidas com passos de lã... Um perigo silencioso, como um assassino, um mercenário que ataca sem dó, sem piedade, sem apelo, sem agravo, sem hipótese de discussão ou negociação... É um vazio. Aquele nada que rasteja, quue caminha pé ante pé, atrás de nós, incautos, e espera aquele momento em que tudo está bem para com um golpe único nos invadir... Insensata sensação de uma tristeza... Olhamos para nós, para o que temos, para tudo o que conseguimos e falta permanentemente algo. E, oh, insatisfeitos, agarramo-nos nós ao que temos? Não... Menosprezamos o que nos custou tanto a ter, tudo o que lutamos por conseguir, em troca de algo que em boa verdade nunca quisemos. Na outra noite, encontrava-me eu sentado no topo da minha torre pensando porque razão valeria a pena... Pensando em desbaratar tudo... Pensando em algo que não conseguia definir mas que sem dúvida me faltava. A princesa que amou o dragão sentou-se ao meu lado e perguntou-me o que se...