Fui um anjo. Os anjos também caem e depois da minha queda perdi as penas... eis-me um demónio. Fui um demónio. Os demónios também se purgam e apesar do meu aspecto alcei vôo e ergui-me magestoso... Eis-me um dragão... Fui um dragão. Jurado que tinha ser indomável, fui domado e quando apresentei provas de ser algo mais caí no meu pântano infernal e perdi as asas. Eis-me um humano. Sou um humano. Sei que não posso voar porque sou humano. Sei que não tenho em mim força para me erguer. Sei que não tenho em mim pecados que não tenha já pago e que mereçam esforço. Sei que não tenho já a luz da esperança num futuro. Tempos houve em que o futuro não me importava desde que o presente compensasse e o passado não fosse um peso. Hoje, em que apenas no futuro poderia vislumbrar a completude que almejo, a força falha-me e por muito alto que salte não consigo voar. À força de sentir de novo o vento no meu cabelo e a carícia do ar sobre a minha pele, caio novamente. Sem motivos para me levantar, desta vez....
Sabem os caríssimos visitantes desta minha humilde torre o quanto eu gosto de música não tão apreciada por todos... Aqui há pouco tempo parei no sítio de uma amiga minha e ouvi algo que só ouço quando vou na máquina vermelha, mais depressa do que se voasse, ter com a minha Senhora. Lembrei-me então que sou ainda mais esquisito do que a larga maioria das pessoas que gostam de ouvir este tipo de música em particular.... E acrescentei-lhe um pequeno twist de gosto pessoal. Gosto muito da versão original.... Adoro esta:
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