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Mensagens

It's christmas all over again..

Sabem os Deuses porque cargas de água não escrevo nada há mais de mês... Sabem os Deuses que queria ter escrito algo antes mesmo do fim de ano e que abominaria passar o ano sem me dirigir às numerosas hostes de leitores sedentos do meu blog com mais um pedaço precioso da minha doutrina. Eu digo sabem os Deuses porque eu não sei... Há dias encontrei um velho conhecido no autocarro. Um jovem com quem me vou encontrando de tempos em tempos e que me conheceu antes de as minhas asas se abrirem pela primeira vez. Alguém que me tem referenciado na sua lista pessoal como "gajo completamente marado"; sendo que essa referência me fazia juz e não vendo motivo para a alterar, comporto-me em conformidade com as expectativas predefenidas por tal. Assim sendo, ele entrou no autocarro. Fechado no seu pequeno mundo privado, obrigou-me a apresentar-lhe a minha mão antes que ele desse pela minha presença (às vezes, esforço-me tanto por parecer invisível que consigo mesmo). Conversa de autocarro...
Não sei porquê ainda muita gente me confunde com um anjo... Não o sou, não me lembro de alguma vez o ter sido, duvido que alguma vez me torne algum. As minhas asas não são as aberrantes asas com penas dos anjos, a imitarem as pombas. As minhas asas têm apenas pele desnuda, compostas de membranas interdigitais extra-alongadas de forma a produzir alguma resistência ao vento... A minha cauda, o leme do meu vôo, não é mais que o prolongamento de um cóccis sobredesenvolvido... As minhas armações, marcas que fazem com que me identifiquem tantas vezes com um demónio mesmo de asas apertadas contra o corpo, são tão vulgares quantas as de qualquer homem. Não vos chocais, leitores. Todos os homens têm a parte supra-orbital com proturberâncias ósseas mais densas que os distinguem das mulheres, nas quais tais proturberâncias não existem. Acerca da minha longa longevidade... esta é a maior ilusão. Eu apenas somo todas as vidas que já vivi, num cálculo aproximado, e chego a uma conclusiva e vetusta i...

Terreno solitário

Viver em locais diferentes, Evadir-me para vários espaços. A minha bússola partiu-se E perco o sentido... Uma loucura longa que me apartou... Em mim, ainda há um lugar Que me preenche, Um santuário interior A que chamo casa, Para onde corro Quando o Inverno cai. Se eu tentar, posso encontar terreno seguro... Sigo por caminhos ilusórios, Oh, parecem inscritos na pedra. E a porta para uma nova vida Está a fechar-se tão depressa... Queimar as pontes não me trará de volta... Eu sei que em mim Ainda há um lugar Que me preenche, Um santuário interior A que chamo casa, Para onde corro Quando o Inverno cai. Se eu tentar Encontrarei terreno sólido? Ou estarei apenas a desperdiçar tempo? Epica - Solitary ground

1º. aniversário

É um facto!... A custo ou não, este vosso amigo que poucas coisas tem como duradouras conseguiu manter esta torre de pé ao longo de pelo menos 1 ano! Eu sei que parece pouco, mas para mim, desorganizado e abandalhado como sou, acreditem, tem sido um esforço, mas também um prazer... Muito obrigado a todos os que vão lendo e comentando aqui e ali, a verdade é que não é só para ficar de bem com a minha consciência que escrevo... Também é para vos agradar. Um grande abraço a todos e preparem-se que pró ano o texto de aniversário vai ter o dobro da lamechice deste.

Mid-Autumn Night Sabbat

Cantam as bruxas, cantam as feiticeiras, No meio das florestas, nas clareiras... E entre as montanhas, nas sombras do vale, Junto às fogueiras, não há quem as cale. Sempre a girar, sempre a bailar, Sempre a cantar e a dançar... Sempre a girar, sempre a dançar... Um felicíssimo Samhain a todos os meus leitores, são os votos de uma velha gárgula pagã que começa a ver os costumes antigos serem retomados.
Há dias ia eu muito sossegado pelas ruas do mercado, alheio a bancas e a vendilhões e reparei numa jovem que tenho ensinado a voar acompanhada de duas outras, uma que se recusava terminantemente a aprender, outra que, em tendo aprendido e em lhe faltando o vento, despenhou-se partindo as asas e perdendo o gosto pelo vôo. Com algum propósito oculto, ou não, a jovem que se recusa a aprender a voar debandou e a minha aprendiz de vôo vendo-se incapaz ou sem vontade de auxiliar a caída na cura aproveitou que a primeira saíra e decretou o acompanhamento da dita. Tendo ficado a sós com a jovem que em vão tentava aparentar umas asas abertas e orgulhosas, sorri-lhe... Não era a primeira criatura a quem tentava auxiliar depois de uma queda desastrosa. Ao que me constou depois de lhe ter perguntado que quão alto havia sido o tombo, desde então mantinha-se rente ao solo. As asas estavam quebradas em várias articulações e mesmo perfuradas. - Não podes contar sempre com o vento... planar, por vezes,...