Avançar para o conteúdo principal

O guerreiro Nobunaga

Há alguns séculos atrás, vivia no Japão um fabuloso guerreiro e comandante militar chamado Nobunaga, um samurai. Nobunaga tinha ganho uma enorme fama junto do Imperador que se demonstrava muitíssimo impressionado com os seus grandes feitos de guerra e vitórias bélicas, para grande contentamento do próprio e invejas egoístas de grande parte dos senhores da corte, isto porque era muitíssimo difícil cair nas boas graças do Senhor Imperial.
Não podendo com intrigas manchar a reputação de tão valoroso guerreiro, decidiram juntar alguns dos seus exércitos e marchar sobre a província de Nobunaga incitando-o a uma batalha que ele perderia estando em clara inferioridade numérica. Para proteger as suas gentes, Nobunaga vestiu a sua armadura, montou o seu cavalo, reuniu o seu exército e foi ao encontro do inimigo sem hesitar... O problema é que o tamanho das hostes adversárias já tinha chegado aos ouvidos dos guerreiros ao serviço de Nobunaga e corria pelas fileiras que o seu líder estava a levá-los uma marcha para a morte certa...
A caminho do campo de batalha, Nobunaga parou a marcha do seu exército e pediu-lhes algum tempo para conselho com os Deuses num templo Shinto que ficava à beira da estrada. Os soldados viram nisso um mau augúrio porque o seu comandante nunca precisara da ajuda dos Deuses para vencer uma batalha, mas compreediam que, dadas as circunstâncias, toda a ajuda seria pouca. Nobunaga entrou, cabisbaixo, no templo deixando cá em baixo o burburinho do seu exército. Era um conjunto de soldados valente, fiel, que acreditava no seu líder e morreria feliz ao seu lado numa batalha perdida à partida pelo orgulho de poder combater com ele...
Pouco tempo depois Nobunaga descia a escadaria que levava ao templo com um sorriso e dirigiu-se aos seus soldados:
"Meus bons homens, já lutámos muito e sobrepusemo-nos sempre às dificuldades que o destino nos interpôs. Não vos vou mentir, fui pedir ajuda aos Deuses e conselho aos sacerdotes do Templo porque não queria apartar-vos das vossas famílias e sei que se hoje lutam comigo é apenas para as defender. A morte em batalha é meritória e honrada para mim e cada um de vós pois sempre lutámos garbosamente e com brio sem subterfúgios nem traições. Mas não será hoje que encontraremos a morte no campo de batalha, espero. O sacerdotes disseram que hoje os Deuses irão sorrir-nos porque somos justos no motivo pelo qual lutamos." Nobunaga mete a mão a uma algibeira e tira de lá uma moeda. "Para provar o apoio divino irei atirar esta moeda ao ar e eu sei que sairá cara se os Deuses estiverem de facto conosco. E se assim for, nada nem ninguém poderá parar as espadas dos homens de Nobunaga!" Nobunaga atirou a moeda e deixou-a cair aos seus pés. Tendo saído cara, exclamou: "Em frente, bravos, a vitória é nossa porque é conosco que os Deuses estão...!"
No campo de batalha pais e filhos morreram, espadas foram semeadas e regadas com o sangue dos combatentes de ambos os lados... No fim, como vaticinado, o exército de Nobunaga prevaleceu e sobrepôs-se aos exércitos unidos dos seus inimigos. Um dos seus capitães, ainda que ferido e a precisar de cuidados, aproximou-se do seu Senhor e com um sorriso comentou:
"Nada nem ninguém pode parar ou forçar a vontade dos Deuses, Senhor...! Ainda bem que estiveram conosco..."
Nobunaga olhou o céu, baixou os olhos ao vale coberto pelos corpos dos seus inimigos sem vida, sorriu e tirou duas moedas, coladas, coroa com coroa, que deu ao seu capitão comentando:
"Realmente, capitão, nada nem ninguém...."

Comentários

Anónimo disse…
Isto a mim parece-me uma mistura entre o Ultimo Samurai e Alexandre o Grande. A cultura japonesa e a força que os samurais tem, é de facto algo que smp me fascinou, esta historia mostra a determinação que eles tem.
Dahnak disse…
e não só, linda... mostra, sem margem para dúvidas que é muito mais simples controlar a mente de uma multidão de que a de um só homem... um só homem pediria para ver a moeda depois de ter sido atirada...
Micae disse…
Konnichiwa Padynhuh!
Eu sabia que eras um Elfo, mas Samurai nunca me ocorreu =p
Agora a serio, mais uma vez surpreendeste-me pela tua cultura geral.. Nunca pensei que soubesses tanto sobre o que é ser um Samurai... Mas confessa lá..a Lili tem razão, né? Tu andas é a ver mutios filmes, certo? =P
Doru-ti!!
Dahnak disse…
tenho é grande memória e recordo-me das aulas de introdução à filosofia do 10º ano, aphilhadynhah windah!

Mensagens populares deste blogue

Nemo

Este sou eu, para sempre Um dos perdidos.. Aquele sem nome, Coração franco como bússola. Este sou eu, para sempre, Um sem nome.. Estas linhas, a última busca Para encontrar a perdida linha de vida. Oh, como eu desejo A branda chuva, Tudo o que eu quero é sonhar de novo. Meu coração amante, perdido na escuridão, Pela esperança daria tudo de meu. Oh, como eu desejo A branda chuva, Tudo o que eu quero é sonhar de novo. De uma vez por todas E de todas por uma, Meu nome é Nemo para a eternidade... A minha flor presa entre As páginas 2 e 3, O desabrochar momentâneo e perene Desaparecido com os meus pecados. Caminhar a negra via, Dormir com anjos, Invocar a ajuda do passado. Toca-me com o teu Amor E revela-me o meu nome real........... Nemo - Nightwish

Pela boca morre o peixe

Ok,vocês sabem que: 1 - eu adoro os gato fedorento; 2 - eles são 75% benfiquistas, facto que eu "desgosto", sendo que os restantes 25% é lagartice.... Conhecem o ditado do título? Poooois.... BAI BUSCÁ-LA!!!!

parte 1

É atirada ao material uma criança... Um bebé que viria a ser uma criança... À carne, ao físico, ao tempo e espaço. Depois, contextualiza-se e integra-se essa criança num todo... Um grupo de condicionantes e fatores de como é suposto ser tudo. Um status quo inescapável de outros seres semelhantes que surgiram antes... Expectativas, padrões, normalidades, regras e o indivíduo neófito submete-se naturalmente à força passiva dos tantos contra nada, como se não houvesse qualquer violência envolvida. Não é explicada qualquer existência de quebras ou excepções ao padrão... Até o indivíduo se aperceber que é, ele próprio, uma excepção em algo... Há nele uma latente fuga às normas e não sabe que a fuga às normas é em si mesma normal...  Este é o primeiro conflito real do ser: admitir-se excepção ou refutar-se enquanto tal. A uma criança contextualizada no tácito contato social e sobreimposto status quo, ser a excepção em algo fundamental como, digamos, um núcleo familiar standardizado, cons...